Nuno Mindelis
Ana Carolina
WYNTON MARSALIS & ERIC CLAPTON – “Play the Blues”
O que acontece quando dois gênios se encontram?
Bem, a resposta óbvia é…depende!
Claro que depende!
Depende de quais gênios estamos falando. Depende o que esses gênios fazem. Depende da “sintonia” entre esses gênios…e assim vai.

Pois bem, no caso do gênio Wynton Marsalis e do gênio Eric Clapton…. a resposta também é óbvia… os dois juntos fazem um verdadeiro espetáculo!
E isso pode ser comprovado e apreciado através do álbum e DVD Play the Blues gravado ao vivo no Lincoln Center e que traz uma energia, uma vibe totalmente cativante do início ao fim.
Wynton Marsalis traz seu trompete vibrante, intenso, melódico e cheio de groove.
Eric Clapton traz a sua guitarra suave, discreta, perfeitamente bem colocada compondo o “pano de fundo” perfeito para uma sonoridade que servirá de companheira.
Vale ressaltar que, mesmos os gênios, não realizam suas maravilhas sozinhos. E assim também ocorre em Play the Blues, onde Wynton Marsalis e Eric Clapton tem o apoio de uma banda que já mostra a que veio na primeira faixa, exalando um jazz em cada um dos instrumentos de maneira magistral…. a altura dos gênios… dos grandes gênios.
A SLOW IN DANCE - "Back to the Brightside"
Sim, meu caros, fiquei um tempo longe do The Sounds Of, me concentrando no blog de fotografias, o qual tem me tomado tempo. Mas, como sempre estou ouvindo música enquanto trabalho nas fotografias, arrumei um tempinho para lhes apresentar A Slow in Dance, banda da Indonésia, descrita pelos próprios membros como "experimental/instrumental rock".
Esse quinteto traz, nesse álbum, cinco faixas viajantes, mas sem cair numa insuportável viagem ao infinito, como ocorre com alguns que se aventuram no mundo instrumental.
A Slow in Dance traz um mix pop-rock, na verdade, mantem-se dentro de certos "parâmetros controlados", o que, em hipótese alguma, significa qualidade limitada.
Não sei se eles tem outros trabalhos, mas esse EP vale a pena ser conferido.
BONOBO – “Black Sands”
Uma dúvida pairou na minha cabeça sobre fazer ou não esse post.
A dúvida veio porque o som do Bonobo foge um pouco ao que costumo apresentar aqui no blog, mas quem sou eu para decidir o que os outros vão ouvir? Eu apenas apresento as sugestões. Esse é o primeiro ponto.
O segundo ponto é que um mudança começou a aparecer em meio a audição do álbum Black Sands, quarto álbum de Simon Green, o homem por trás do Bonobo.
DJ inglês, Bonobo inicia Black Sands com um toque de Trip Hop e muita influência da música eletrônica. Eu diria que o álbum começa se apresentando como um “Lounge Eletrônico”. Boa música, mas o “eletrônico” aqui me incomodou um pouco. Entretanto, no decorrer do álbum se percebe a adição de outras influências como jazz e soul (em especial nas faixas “El Toro” e “We Could Forever”), onde as batidas sintetizadas abrem espaço para um belíssimo trabalho de uma bateria bem elaborada e que confere uma dose de sofisticação e personalidade a esse álbum.
O álbum segue uma linha instrumental, com exceção de três momentos nos quais Andreya Triana se apresenta, e muito bem, nos vocais (“Eyesdown”, “The Keeper” e “Wonder When”).
O resumo disso tudo é o seguinte. O lado eletrônico do álbum não chega a desagradar, já que a levada trip hop segura bem a vibe dessas faixas, mas não tira Black Sands de um parâmetro conhecido, porém quando as demais influências entram em ação, aí sim, faz toda diferença ouvir Bonobo.
ANNA CALVI – “Anna Calvi”
Prepare-se para se surpreender!
Isso é o mínimo que vai acontecer com você ao ouvir um álbum de variações tão bem construídas.
É dificil “categorizar” Anna Calvi já que ela se envereda por caminhos os mais inusitados nesse debut que leva seu nome.
Só para dar algumas pistas. A primeira faixa fica no instrumental. Uma guitarra que bem serviria de trilha sonora para alguma cena chave de Quentin Tarantino apresenta “Rider to the sea”.
Ali ja se percebe que a atmosfera será densa e encorpada com sonoridades marcantes.
A segunda faixa nos brinda com um baixo acentuado e a voz de Anna Calvi, que acreditem, somente vai se revelar nas canções subsquentes (mas, sejamos francos, que belo início, não?).
Aliás, a voz de Anna Calvi é algo que merece um comentário à parte, pois apresenta um vigor único. É um voz marcante, sem sombra de dúvidas, que confere um "corpo” especial para suas canções, chegando em alguns momentos a tomar uma aura épica, eu diria.
Imaginem um álbum que apresenta canções que alternam a cadência sonora dentro de um indie rock longe do trivial, e ainda tendo um vocal com as qualidades descritas acima. Não há como não se surpreender.
CIRCADIAN EYES - “Who We Were”
Sublime! Envolvente! Transcendental!
Poderia enumerar uma sequência sem fim de palavras para tentar elucidar a beleza, a ternura, o sentimento a flor da pele, o aperto no fundo da alma que o piano, a melodia e a cadência das faixas deste álbum evocam em nosso espírito, mas nunca, nunca mesmo teria a capacidade de fazê-lo, pois estamos diante de uma obra prima, daquelas que raramente surgem entre os Homens… mas, sim, elas surgem.
Circadian Eyes é um projeto do músico Brian Collins. Estou ouvindo este seu primeiro álbum enquanto escrevo, mas sou obrigado a parar várias vezes e me render à ebulição de sentimentos que esta sonoridade tão marcante evoca.
Sim, os sentimentos todos estão ali, faixa após faixa. Assim como todos os pensamentos e desejos passam pela mente. E tudo isso sem uma palavra dita se quer. Uma primazia totalmente instrumental!
Os estilos são diferentes, mas não ouvia algo tão marcante assim desde a minha descoberta de Dif Juz e Dead Can Dance…e isso foi lá no final dos anos 80.
Não consigo mais escrever. As palavras me faltam…porém Circadian Eyes é a prova de que elas não são necessárias como imaginamos.