Nuno Mindelis
Ana Carolina
VZYADOQ MOE – “O Ápice”
Os anos 80 marcaram época, mesmo com todas as críticas expostas por alguns. Foi uma década de ousadia de estilos, de inovação musical, de variedade sonora, de criatividade.
Tudo isso permeou a cena musical da Europa em particular. Foi nessa época que bandas alternativas como Bauhaus, Einstürzende Neubauten, X-Mal Deutschland, Dif Juz, Collection D´Arnell-Andrea entre centenas de outras surgiram e deram o tom da década.
Do outro lado do oceano, longe desse cenário, mas não longe do estilo e das influências um nome carregava essa essência alternativa na veia. E foi aqui no Brasil.
A criatividade vem na essência da banda desde os primórdios, na formação do nome, criado através de um sorteio aleatório de letras surgindo Vzyadoq Moe.
A peculiaridade da banda ultrapassa, e muito, o seu nome inusitado. A sonoridade vislumbra caminhos até então nunca contemplados em bandas nacionais.
A bateria, por exemplo, eram latas de tintas. Isso mesmo, latas de tinta que garantiam batidas secas e de timbres inconfundiveis.
As guitarras eram distorcidamente ruidosas e perfeitamente adequadas aos vocais “falados” e intensos que declamavam rebuscadas criações literárias.
Uma banda alternativa. Uma banda nacional. Uma banda única e imperdível!
HARRY - “Fairy Tales”
Em meados dos anos 80 uma revolução na música eletrônica surgia na Europa. Países, digamos, obscuros para o mundo da música naquele momento começaram a se tornar referência naquele novo estilo, o chamado EBM ou Electronic Body Music (e todas as variações do tema que surgiram na época).
O grande nome, ou melhor, o mais conhecido na época foi a banda belga Front 242 e seu hit “Headhunter” abalou as estruturas das pistas alternativas (e até foi usada num funk-zinho barato por aqui).
O estilo fugia radicalmente do estilo “bate-estaca” do House vigente naquele momento, e mais radicalmente ainda, mesclava elementos mais pesados: batidas intensas, guitarras distorcidas, teclados vigorosos, “elementos industriais” e levando o estilo eletrônico para outras referências e outros públicos.
Nesse ambiente e com esse propósito, surgiu no Brasil, mais precisamente em Santos a banda Harry que trazia essa vibe da nova Electronic Body Music, porém “amenizada” com a melodia melancólica do pós-punk inglês e que resultou em grandes faixas como “Genebra”, “Lycanthropia” e “Soldiers” só para citar algumas que esse debut Fairy Tales apresentou ao público.
A banda lançou outros dois álbuns e uma caixa comemorativa aos 25 anos de existência. Entretanto, Fairy Tales, por ter sido o primeiro álbum trouxe toda a energia do estilo e merece sua atenção e a citação do The Sounds Of.
O SESC está com uma programação especial nos meses de junho e julho com a ótica “O Japão em imagens e sons”.
Dentro desse projeto o grupo Mawaca se apresentou ontem no teatro Paulo Autran, no SESC Pinheiros, com o espetáculo Ikebanas Sonoras.
Fui motivado a assistir essa apresentação pela sinopse que li no site do SESC e saí do teatro ontem encantado com o que vi e ouvi.
Ikebanas Sonoras é um espetáculo multimídia onde as sete integrantes do Mawaca passeiam por canções do folclore japonês num misto da aura mística oriental com um leve tempero ocidental (no caso da faixa “Sakura Sakura” o tempero ganhou um toque mais acentuado da Terra Brasilis e ficou fantástico).
Nesse contexto musical nos deparamos com a miscelânea bem orquestrada de instrumentos japoneses como o koto, shamisen e taiko de um lado e o acordeon, a flauta transversal o cello de outro, isso sem falar dos elementos de percussão e do incrível jogo de vozes que as sete moças do grupo nos presenteiam de maneira sublime.
O espetáculo, entretanto, ultrapassa os limites sonoros e entra no ambiente visual. A começar pelo figurino das integrantes e músicos convidados, passando pela apresentação de leques com a dupla Daniella e Deborah Shimada (quem também tocam os taikos) e chegando a um conjunto de projeções no telão de imagens encantadoras, com aquele traço inconfundível das ilustrações orientais feitas por Erica Mizutani e que consagram o Ikebanas Sonoras como espetacular com todos os adjetivos e significados que essa palavra pode carregar.
Ontem a apresentação foi registrada para o lançamento posterior de um DVD e, já adianto, assistam! Pois o “arrependimento” de ter visto esse espetáculo ao vivo dará lugar a um encantamento sublime.
Na semana passada postei sobre essa banda e seu show no Studio SP (vide post). Ontem, lá fui eu conferir ao vivo o que já havia me encantado no álbum Quarto das Cinzas.
Ao subirem ao palco, os integrantes do Jardim das Horas apenas confirmaram o que já era esperado, ou seja, envolveram a todos com aquela bela miscelânea sonora entre swing e groove dançante de um lado e uma introspecção e suavidade do melhor da música brasileira moderna do outro.
A surpresa ficou mesmo por conta da belíssima Laya Lopes, a vocalista do Jardim das Horas…(ou seria uma versão atual das sacerdotisas vestais?).
A sua beleza já era fato constatado, mas a sua presença de palco, a sua performance inebriante e sua simpatia era algo a mais a ser apreciado.
Diferente das castas sacerdotisas vestais, Laya exalava sedução e tinha em comum a “missão” de manter acesa a chama do Jardim das Horas no palco. E o fez com maestria! Tanto que os demais integrantes ficavam no seu “papel low profile” conscientes e focavam no que lhes era destinado, isto é, manter a melodia no compasso para deleite da musa do Jardim e agrado da platéia.
O Jardim das Horas nos concedeu um show fantástico, o qual não apenas não decepcionou como ainda surpreendeu.
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